Conselho de Comunicação propõe Cide para empresas de tecnologia que comercializam conteúdos gerados por inteligência artificial

Conselho de Comunicação propõe Cide para empresas de tecnologia que comercializam conteúdos gerados por inteligência artificialConselho debate criação de contribuição para empresas de tecnologia que comercializam conteúdos de IA e destino de recursos a fundos de compensação.

O Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional discutiu, nesta segunda-feira (3), a criação de uma Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para empresas de tecnologia que comercializam conteúdos gerados por inteligência artificial. A reunião do órgão auxiliar do Congresso reuniu representantes do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), do Ministério da Cultura, do Instituto de Tecnologia e Sociedade e da Universidade de São Paulo, entre outros, conforme apresentações e debates entre especialistas.

Proposta e justificativas

Segundo Lucca Shirru, do Ibict, a cobrança de uma Cide pode estimular o desenvolvimento tecnológico nacional e criar mecanismos de remuneração para artistas prejudicados pelo uso de IA. Ele destacou que muitos desses sistemas foram treinados com obras produzidas pelos próprios criadores e defendeu a destinação dos recursos a fundos compensatórios.

“A proposta é cobrar uma Cide das grandes empresas de IA generativa e destinar os recursos a fundos que compensem os impactos do uso dessas tecnologias sobre a produção de conhecimento.”

Shirru também afirmou que grandes empresas de comunicação podem negociar diretamente com as plataformas digitais o licenciamento de seus conteúdos e que um modelo de gestão coletiva poderia beneficiar pequenas empresas e criadores individuais.

Gestão coletiva e direitos autorais

O secretário de Direitos Autorais e Intelectuais do Ministério da Cultura, Marcos de Souza, defendeu a gestão coletiva dos direitos. Ele ressaltou, contudo, que uma eventual contribuição não substituiria o pagamento devido pelo uso de obras protegidas no treinamento de sistemas de inteligência artificial.

Preocupações econômicas e competitividade

O diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade, Sérgio Branco, manifestou preocupação com os modelos de remuneração pelos direitos autorais e afirmou ser necessário equilibrar os valores para evitar que empresas transfiram o treinamento dos sistemas para outros países. Segundo ele, também é preciso proteger pequenas empresas de tecnologia para que não sejam excessivamente oneradas.

Educação midiática e uso de informações por IA

A pesquisadora da USP, Silvana Bahia, destacou a importância da educação midiática para que as pessoas compreendam como a inteligência artificial produz informações e influencia decisões.

“Não basta garantir acesso à inteligência artificial. As pessoas precisam compreender criticamente como essas ferramentas produzem conhecimento e influenciam decisões.”

As propostas apresentadas durante a audiência foram encaminhadas à comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa o projeto de lei sobre o marco legal da inteligência artificial (PL 2338/23).

Segundo estudo europeu citado na sessão, o percentual de pessoas que utilizam o resumo produzido pela IA do Google como única fonte de informação passou de 56%, em 2024, para 69%, em 2025.

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Publicado em: 03/08/2026 às 15:41
Categoria(s): Política Nacional