segunda-feira, 28 de setembro de 2026
SAÚDE

Cuidados com a saúde durante a cheia dos rios no Amazonas: veja como se proteger

Durante a cheia dos rios no Amazonas, cuidados com a água, os alimentos, a limpeza das casas e a prevenção de acidentes ajudam a reduzir doenças e outros riscos à saúde. Saiba como agir e quando procurar atendimento.

A cheia dos rios no Amazonas aumenta a exposição da população à água contaminada, à lama, a alimentos impróprios para consumo e a animais que procuram locais secos para se abrigar. Por isso, os cuidados com a saúde durante a cheia dos rios devem ser mantidos tanto enquanto as áreas estão alagadas quanto no período de limpeza e retorno às casas.

Entre os principais riscos estão a leptospirose, as doenças diarreicas, a hepatite A, o tétano e os acidentes com cobras, escorpiões e aranhas. A recomendação é seguir as orientações das autoridades de saúde e da Defesa Civil, evitar o contato desnecessário com a água da inundação e procurar atendimento diante de sintomas ou ferimentos.

As orientações abaixo reúnem recomendações do Ministério da Saúde e da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas.

Água para beber deve ser tratada

A água da cheia não deve ser usada para beber, cozinhar, escovar os dentes ou preparar alimentos. Mesmo quando parece limpa, ela pode conter microrganismos, esgoto, produtos químicos e urina de animais infectados.

Quando não houver acesso à água potável, a orientação do Ministério da Saúde é filtrar ou coar a água e, em seguida, utilizar hipoclorito de sódio a 2,5%, conforme a indicação oficial do produto. A recomendação é adicionar duas gotas para cada litro de água, misturar e aguardar 30 minutos antes do consumo. A água tratada dessa forma deve ser consumida em até 24 horas.

Também é possível filtrar ou coar a água e fervê-la por cinco minutos após o início da fervura. Depois, é necessário esperar que esfrie antes de armazená-la em recipiente limpo, tampado e protegido de novas contaminações.

Não use qualquer água sanitária para tratar a água. O produto só deve ser utilizado quando tiver concentração de cloro ativo entre 2% e 2,5% e não contiver perfume, essência, alvejante ou outros aditivos. Em caso de dúvida, procure orientação na unidade de saúde ou na vigilância sanitária do município.

O hipoclorito de sódio distribuído pela rede pública deve ser usado exatamente conforme a orientação do rótulo e dos serviços de saúde. Não aumente a quantidade por conta própria e não misture o produto com outras substâncias.

Alimentos atingidos pela água da cheia devem ser descartados

Alimentos que tiveram contato com a água da inundação ou com a lama não devem ser consumidos. A regra vale para frutas, verduras, carnes, alimentos preparados, embalagens, latas, potes, garrafas e produtos que possam ter sido contaminados pela água.

Não tente identificar a segurança do alimento pelo cheiro, pela aparência ou pelo sabor. Também não experimente o produto para verificar se está próprio para consumo. Em caso de dúvida, a recomendação é descartar.

Alimentos e medicamentos que ficaram submersos ou foram atingidos pela água da enchente também devem ser separados e descartados. As embalagens podem apresentar contaminação externa, mesmo quando parecem fechadas.

Durante a cheia, mantenha os alimentos protegidos da água, da lama, de insetos e de roedores. Use recipientes fechados e deixe o lixo acondicionado em sacos resistentes, com a tampa mantida fechada sempre que possível.

Leptospirose exige atenção após contato com água ou lama

A leptospirose é causada por uma bactéria presente principalmente na urina de ratos e pode ser transmitida quando a pessoa entra em contato com água ou lama contaminada. Cortes, arranhões e outras lesões na pele facilitam a entrada da bactéria, mas a infecção também pode ocorrer pelo contato com mucosas.

Os sintomas podem surgir depois da exposição e incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, mal-estar, náuseas, vômitos e diarreia. Dor intensa nas panturrilhas ou na região lombar também pode ocorrer.

Quem teve contato com água de enchente ou lama e apresentar febre ou outros sintomas deve procurar uma unidade de saúde e informar ao profissional que esteve em área alagada. Essa informação é importante para orientar a avaliação e o tratamento.

Sinais como pele ou olhos amarelados, sangramento, dificuldade para respirar e confusão mental indicam necessidade de atendimento médico imediato.

Para reduzir o risco, cubra cortes e arranhões com curativos impermeáveis. Quando for inevitável entrar em área alagada ou realizar a limpeza, utilize botas e luvas impermeáveis. Evite nadar, brincar ou permanecer desnecessariamente em água de enchente.

Como fazer a limpeza depois que a água baixar

A limpeza da casa deve começar somente quando houver segurança para entrar no imóvel e quando as autoridades locais liberarem o acesso. A água pode esconder buracos, fios elétricos, objetos cortantes, animais peçonhentos e materiais contaminados.

Antes de iniciar o trabalho, use botas ou calçados fechados impermeáveis, luvas resistentes e, quando houver poeira, mofo ou respingos, proteção adequada para o rosto. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas não devem participar da remoção de lama e entulho sem avaliação das condições do local.

Retire a lama com cuidado, lave pisos, paredes, bancadas e objetos com água e sabão e faça a desinfecção conforme as orientações da autoridade de saúde. Para superfícies contaminadas, o Ministério da Saúde recomenda solução de hipoclorito de sódio a 2,5% na proporção indicada para a limpeza de ambientes, com tempo de contato antes do enxágue ou da reutilização do local.

Não misture água sanitária com detergentes, desinfetantes, ácidos ou outros produtos. A mistura pode liberar gases perigosos. Mantenha o ambiente ventilado e lave as mãos após a limpeza, mesmo quando tiver usado luvas.

Reservatórios, caixas-d’água e utensílios que tiveram contato com a água da cheia precisam ser higienizados antes de voltar ao uso. Se houver dúvida sobre a segurança da estrutura ou do abastecimento, procure a vigilância ambiental ou a secretaria municipal de saúde.

Cuidados contra cobras, escorpiões e aranhas

Durante e após a cheia, animais peçonhentos podem sair de seus abrigos e procurar locais secos, como móveis, caixas, roupas, barcos, depósitos e dentro das casas. Entulhos, madeira empilhada e objetos acumulados aumentam a possibilidade de acidentes.

Não coloque as mãos em frestas, buracos, caixas, armários, montes de madeira ou locais que não possam ser observados. Antes de vestir roupas, calçados ou roupas de cama que ficaram guardados, examine cada peça com cuidado.

Ao encontrar uma cobra, um escorpião ou uma aranha, não tente tocar, capturar ou matar o animal, mesmo que ele pareça morto. Afaste as pessoas do local e acione o serviço responsável do município, como o Corpo de Bombeiros, a autoridade ambiental ou a unidade de vigilância de zoonoses, conforme a disponibilidade local.

Em caso de picada, procure atendimento de urgência o mais rápido possível. Se for seguro, uma fotografia do animal feita à distância pode ajudar na identificação. Não faça cortes, não tente sugar o veneno, não aplique substâncias sobre o ferimento e não use torniquete.

Ferimentos e vacinação contra o tétano

Pregos, pedaços de madeira, vidro, metal, galhos e outros objetos presentes na lama ou nos entulhos podem causar cortes e perfurações. O tétano é uma doença grave que pode ocorrer quando a bactéria entra no organismo por meio de ferimentos contaminados.

Em caso de corte ou perfuração, lave o ferimento com água limpa e sabão, cubra-o e procure uma unidade de saúde para avaliação. O profissional verificará a necessidade de cuidados adicionais e se a vacinação contra o tétano está atualizada.

A cheia também é um momento para conferir a situação da caderneta de vacinação, especialmente de crianças e pessoas que tiveram contato com áreas de risco. A atualização deve ser feita nos serviços do Sistema Único de Saúde, conforme a disponibilidade e as orientações da rede municipal.

Fique atento a diarreia, vômitos e desidratação

Água e alimentos contaminados podem causar doenças diarreicas, hepatite A e outras infecções. Os sinais incluem diarreia, dor abdominal, náuseas, vômitos, febre e mal-estar.

A pessoa deve buscar atendimento se apresentar sinais de desidratação, sangue ou muco nas fezes, dor intensa, febre persistente, vômitos repetidos ou dificuldade para manter líquidos. O Ministério da Saúde também recomenda procurar assistência quando houver três ou mais episódios de diarreia em um período de 24 horas.

Enquanto aguarda atendimento, a hidratação deve ser feita com água segura e, quando indicado, soro de reidratação oral. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas podem se desidratar mais rapidamente e precisam de atenção especial.

Proteção contra mosquitos e cuidados com a saúde mental

O período de cheia pode alterar os criadouros e a circulação de mosquitos. Elimine recipientes que acumulem água, mantenha reservatórios fechados e use medidas de proteção recomendadas pelas autoridades de saúde, como roupas que cubram a pele e repelente quando indicado.

As enchentes também podem provocar medo, ansiedade, insônia e sofrimento emocional. Procure apoio de familiares, equipes de saúde, assistência social ou serviços de atendimento psicossocial se esses sinais persistirem ou impedirem as atividades diárias.

Quando procurar atendimento

Procure uma unidade de saúde após contato com água ou lama de enchente se surgirem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos, diarreia, falta de ar, pele ou olhos amarelados, sangramentos ou confusão mental.

Também é necessário buscar atendimento em casos de picada de animal peçonhento, ferimentos profundos, perfurações, sinais de infecção ou suspeita de desidratação. Ao chegar ao serviço, informe quando ocorreu o contato com a água, a lama ou o animal e quais medidas foram tomadas.

Em situações de emergência, siga os comunicados da Defesa Civil, da Secretaria Municipal de Saúde, da SES-AM e da FVS-RCP. A prevenção depende principalmente do uso de água segura, do descarte de alimentos contaminados, da proteção durante a limpeza e da procura rápida por atendimento diante de sintomas.