O incentivo ao esporte no Amazonas ganhou novas frentes de atuação nos últimos anos, com a expansão de programas voltados à iniciação esportiva, à ocupação de espaços públicos e à inclusão de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. A principal iniciativa é o Programa de Esporte e Lazer na Capital e Interior, o Pelci, que registrou mais de 325 mil atendimentos em 2025, segundo relatório apresentado pelo Governo do Estado.
O programa mantém 33 núcleos em Manaus e cinco polos no interior, com atividades em modalidades como futebol, futsal, vôlei, basquete, handebol, atletismo, natação, judô, jiu-jítsu, xadrez, tênis de mesa, kart e outras práticas esportivas. O governo informa que as ações combinam aulas, treinamentos e atividades regulares, com foco na formação esportiva e no fortalecimento dos vínculos comunitários. (amazonas.am.gov.br)
O número divulgado corresponde a atendimentos, e não necessariamente à quantidade de pessoas diferentes alcançadas. A distinção é relevante porque um mesmo aluno pode participar de várias atividades ao longo do ano. Ainda assim, o dado indica a ampliação da presença das políticas esportivas em comunidades da capital e em municípios do interior.
Pelci amplia presença na capital e no interior
Lançado em 2022, o Pelci foi estruturado para atender crianças, adolescentes, jovens e adultos de 8 a 29 anos. A proposta é democratizar o acesso ao esporte, estimular a convivência coletiva e identificar aptidões em modalidades olímpicas e não olímpicas. Nos primeiros anos, o programa foi incorporando núcleos e atividades que já eram desenvolvidos por outras iniciativas estaduais.
Em 2023, por exemplo, o Governo do Amazonas informou que núcleos de projetos encerrados ou reformulados foram incorporados ao Pelci. Naquele período, o programa atendia aproximadamente 7 mil atletas e contava com investimento informado de quase R$ 3 milhões. O relatório também apontava a presença da iniciativa em Manaus e em municípios do interior. (amazonas.am.gov.br)
A expansão territorial é um dos principais desafios para a política esportiva amazonense. A distância entre os municípios, a dependência do transporte fluvial e a concentração de equipamentos na capital dificultam a oferta regular de atividades. A criação de polos no interior busca reduzir parte dessa desigualdade, embora o alcance efetivo dependa da manutenção das estruturas, da presença de profissionais e da continuidade das turmas.
O relatório de atividades de 2025 aponta cinco polos do Pelci no interior do Estado, além dos 33 núcleos existentes em Manaus. A mesma publicação registra mais de 325 mil atendimentos a crianças e adolescentes ao longo do ano. (amazonas.am.gov.br)
Novas modalidades e uso dos espaços públicos
Além da ampliação das turmas, o Estado passou a utilizar obras e equipamentos esportivos como parte da estratégia de acesso. A recuperação ou construção de campos, quadras e arenas permitiu levar o Pelci a novos locais e organizar atividades permanentes em áreas públicas.
Em dezembro de 2025, o Governo do Amazonas lançou o projeto Vila Aberta para Todos, na Vila Olímpica de Manaus. A iniciativa abriu o complexo à população aos domingos, das 8h às 12h, com atividades gratuitas de esporte, lazer e convivência social. O espaço também recebeu ações relacionadas à iniciação esportiva e à formação de atletas. (casacivil.am.gov.br)
A programação amplia o uso comunitário de uma estrutura tradicionalmente associada a treinamentos e competições. Para crianças e jovens, a abertura de áreas esportivas pode representar uma alternativa de lazer e uma porta de entrada para modalidades que não estão disponíveis em todos os bairros.
Outra frente foi a inclusão do kart entre as modalidades do Pelci. O lançamento da atividade foi programado para maio de 2026, ampliando o conjunto de práticas oferecidas pelo programa. A modalidade se soma a esportes coletivos, lutas, atividades aquáticas e disciplinas de concentração, como o xadrez. (amazonas.am.gov.br)
A variedade de modalidades é importante porque evita que o incentivo esportivo fique restrito ao futebol. Também permite que os participantes conheçam diferentes formas de prática, desenvolvam habilidades específicas e encontrem atividades compatíveis com seus interesses e condições físicas.
Políticas voltadas a estudantes e adolescentes vulneráveis
O incentivo ao esporte no Amazonas também passou a contar com novas diretrizes legais. Em outubro de 2024, a Assembleia Legislativa promulgou a Lei nº 7.126, que instituiu diretrizes de incentivo ao esporte infantil. O texto prevê a promoção de esporte, recreação e atividades físicas gratuitas, além de campanhas e ações voltadas à participação de crianças.
Em janeiro de 2024, outra lei estadual, de número 6.747, estabeleceu direitos para estudantes da rede estadual que praticam desporto escolar. A norma trata de atletas e futuros atletas de 14 a 17 anos e prevê medidas relacionadas à participação em competições oficiais, mediante comunicação à escola e apresentação de declarações dos responsáveis e das entidades esportivas.
Entre as ações previstas estão campanhas de conscientização, apoio ao esporte olímpico e paralímpico, criação de cadastro de estudantes com deficiência aptos à prática desportiva e fornecimento de órteses e próteses para alunos de baixa renda interessados no esporte paralímpico. (legisla.imprensaoficial.am.gov.br)
Já a Lei nº 7.788, sancionada em 18 de setembro de 2025, estabeleceu diretrizes para uma política estadual de incentivo ao esporte destinada a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. O público inclui pessoas provenientes de abrigos e entidades de assistência social, além de crianças e adolescentes acompanhados pelos conselhos tutelares dos municípios.
A legislação prevê prioridade para esse público em projetos esportivos, campanhas em escolas públicas, parcerias com instituições de ensino superior e organizações da sociedade civil, além de eventos voltados à integração comunitária. Entidades que desenvolvam projetos com esse foco poderão apresentar propostas para eventual apoio financeiro e técnico do Poder Executivo, conforme avaliação dos órgãos responsáveis. (legisla.imprensaoficial.am.gov.br)
Esporte como ferramenta de inclusão
As medidas adotadas pelo Amazonas apresentam o esporte não apenas como atividade física, mas também como instrumento de inclusão social, formação e convivência. Essa abordagem aparece tanto nos programas de iniciação esportiva quanto nas leis que tratam de estudantes, pessoas com deficiência e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Na prática, a participação em treinos e competições pode contribuir para a criação de rotinas, o desenvolvimento de habilidades coletivas e a aproximação entre escolas, famílias e comunidades. Esses efeitos, no entanto, dependem de uma política contínua, com profissionais capacitados, equipamentos em condições de uso e mecanismos de acompanhamento dos resultados.
O estudo publicado na Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde sobre o Pelci analisou documentos produzidos entre 2021 e 2025. A pesquisa descreve o programa como uma política pública voltada à democratização do esporte e à inclusão social, com núcleos na capital e polos no interior. O trabalho também destaca a necessidade de ampliar a produção de dados e avaliações sobre políticas públicas de atividade física. (scielo.br)
A observação é importante porque o volume de atendimentos, isoladamente, não mostra quantos alunos permanecem nos projetos, quais modalidades apresentam maior procura ou quais resultados são obtidos na aprendizagem esportiva, na frequência escolar e na inclusão de públicos específicos. Indicadores desse tipo ajudam a avaliar a efetividade dos programas para além do número de aulas realizadas.
Infraestrutura acompanha expansão
A ampliação das atividades foi acompanhada por investimentos em estruturas esportivas. Informações divulgadas pelo Estado indicam que obras executadas por órgãos como a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, a Unidade Gestora de Projetos Especiais e a Secretaria de Infraestrutura contribuíram para a implantação do Pelci em novos espaços.
Reportagem publicada em 2025 informou investimentos de R$ 85 milhões em espaços esportivos e a construção ou revitalização de 72 estruturas, entre campos, quadras e arenas. O dado foi apresentado como parte da estratégia de integração entre obras públicas e programas sociais. (emtempo.com.br)
Para que esses investimentos tenham efeito duradouro, a manutenção dos equipamentos é tão importante quanto a obra inicial. Quadras, campos e arenas precisam de conservação, iluminação, segurança e agenda regular de atividades. Sem esses elementos, o espaço pode deixar de cumprir a função de atender crianças e jovens de forma contínua.
Desafios para consolidar a política esportiva
O crescimento dos programas amplia as oportunidades, mas também aumenta a necessidade de planejamento e transparência. Entre os pontos que exigem acompanhamento estão a distribuição dos núcleos, a frequência dos alunos, a formação dos profissionais, a participação de pessoas com deficiência e a continuidade das ações nos municípios do interior.
Também é necessário diferenciar ações de iniciação esportiva, lazer comunitário e preparação para o alto rendimento. Embora possam compartilhar estruturas, cada frente possui objetivos próprios, exigindo métodos, metas e indicadores adequados. Crianças que participam de atividades recreativas não precisam necessariamente seguir uma trajetória competitiva, enquanto atletas em formação dependem de acompanhamento especializado e acesso a competições.
O Amazonas mantém programas de apoio a atletas e paratletas, como o Bolsa Esporte Estadual, além de iniciativas de formação e fomento a modalidades esportivas. A combinação entre esporte de base, lazer e rendimento permite atender perfis diferentes, mas requer regras claras e critérios públicos de seleção e acompanhamento. (amazonas.am.gov.br)
Com a expansão do Pelci, a abertura de espaços públicos e a criação de diretrizes específicas para crianças, estudantes e adolescentes vulneráveis, o Estado amplia a rede de incentivo ao esporte. O próximo passo é consolidar a regularidade das atividades e produzir informações capazes de mostrar não apenas quantos atendimentos foram realizados, mas também quem foi alcançado, por quanto tempo e com quais resultados.