A história do futebol amazonense também pode ser contada a partir dos estádios que receberam seus principais jogos. Em Manaus, esses espaços acompanharam a formação dos clubes tradicionais, a consolidação dos campeonatos estaduais, a rivalidade entre Nacional e Rio Negro e a chegada de grandes equipes e jogadores do futebol brasileiro.
Alguns desses palcos desapareceram. Outros foram reformados, mudaram de função ou deram lugar a estruturas mais modernas. Ainda assim, Parque Amazonense, Estádio Ismael Benigno, conhecido como Colina, Estádio Vivaldo Lima e Arena da Amazônia permanecem ligados à memória esportiva do Amazonas.
Mais do que locais para partidas, esses estádios funcionaram como pontos de encontro da sociedade manauara. Ao redor deles, o futebol ajudou a construir identidades de bairro, mobilizou torcedores e consolidou clubes que atravessaram diferentes períodos da vida econômica e social do Estado.
Parque Amazonense foi um dos primeiros grandes palcos do futebol em Manaus
O Parque Amazonense ocupa um lugar central na história dos estádios históricos do futebol amazonense. O espaço surgiu no início do século 20, ainda como hipódromo, em um período no qual o turfe era uma das principais atrações esportivas da elite de Manaus. O local ficava na região conhecida como Beco do Macedo, área que atualmente corresponde ao entorno do bairro Nossa Senhora das Graças.
O antigo Prado Amazonense foi construído em 1906 e deixou de funcionar como hipódromo durante a crise que afetou a economia da cidade após o declínio do ciclo da borracha. Em 1918, o espaço passou a receber partidas de futebol de forma mais organizada, depois de ser destinado ao Dispensário Maçônico. Por isso, é frequentemente apontado por registros históricos como o primeiro estádio de futebol do Amazonas.
A transformação do hipódromo em campo de futebol acompanhou uma mudança nos hábitos esportivos de Manaus. O futebol, inicialmente associado às comunidades estrangeiras e a clubes formados no começo do século, passou a ganhar espaço entre diferentes grupos da população. O Parque Amazonense se tornou um dos principais pontos dessa expansão.
Nas décadas seguintes, o estádio recebeu partidas dos clubes mais tradicionais da capital e foi palco de clássicos que ajudaram a definir a identidade do futebol local. Nacional, Rio Negro, São Raimundo, América e Sul América estão entre as equipes associadas à trajetória do antigo parque.
O local também teve importância para a vida social da cidade. Ir ao estádio fazia parte da programação de muitas famílias manauaras, e os jogos eram acompanhados por grande movimentação nas ruas próximas. O futebol dividia espaço com outras atividades esportivas e culturais, mas gradualmente se transformou na principal atração do terreno.
O Parque Amazonense perdeu espaço com o crescimento da cidade e com a construção de estádios maiores. O último jogo profissional realizado no local ocorreu na década de 1970. Depois, o antigo estádio entrou em processo de abandono e deixou de exercer a função que havia desempenhado por décadas. A trajetória do Parque Amazonense representa a fase inicial de organização do futebol amazonense e a passagem de uma cidade marcada pelo turfe para outra cada vez mais mobilizada pelo futebol. (ge.globo.com)
Estádio da Colina se tornou referência para o futebol local
O Estádio Ismael Benigno, conhecido popularmente como Colina, foi fundado em 1958 e está ligado principalmente à história do São Raimundo Esporte Clube. O nome oficial homenageia Ismael Benigno, dirigente associado ao clube e à organização do futebol amazonense.
Localizado na zona oeste de Manaus, o estádio ganhou importância a partir da segunda metade do século 20, quando o futebol da capital passou a exigir estruturas maiores e mais adequadas para receber campeonatos e clássicos. Com a redução da relevância do Parque Amazonense, a Colina assumiu a condição de um dos principais palcos do futebol na cidade.
O estádio recebeu partidas de clubes tradicionais do Amazonas e jogos envolvendo equipes de outras regiões do país. Também ficou associado à presença de jogadores reconhecidos nacionalmente, incluindo Pelé e Garrincha, conforme registros históricos sobre partidas disputadas em Manaus.
A relação entre a Colina e o São Raimundo é especialmente forte. O estádio se tornou a casa do clube e passou a ser identificado pela torcida como um dos símbolos do chamado Tufão da Colina. Foi nesse ambiente que o São Raimundo construiu parte de sua trajetória no Campeonato Amazonense e consolidou uma geração que conquistou títulos estaduais e competições regionais.
Durante o período de maior força do São Raimundo, entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, a Colina esteve ligada a uma das fases mais competitivas do futebol amazonense. O clube conquistou espaço nacional, disputou competições brasileiras e passou a receber adversários de maior projeção.
Um dos episódios mais lembrados dessa época ocorreu em 2003, quando o São Raimundo derrotou o São Paulo por 2 a 0, no Estádio Vivaldo Lima, pela Copa do Brasil. Embora a partida não tenha sido realizada na Colina, a campanha daquele período reforçou a relevância do clube e da torcida que tinha o estádio como referência.
A Colina também passou por obras de modernização para ser utilizada como centro de treinamento durante a Copa do Mundo de 2014. A reforma ampliou a estrutura do estádio, mas alterou parte de sua relação cotidiana com o São Raimundo. Mesmo com as mudanças, o Ismael Benigno continua sendo lembrado como um dos mais tradicionais campos do futebol do Amazonas. (ge.globo.com)
Vivaldo Lima foi o grande estádio do futebol amazonense
Inaugurado em 1970, o Estádio Vivaldo Lima foi construído para atender ao crescimento do futebol em Manaus. O projeto surgiu em um momento de expansão urbana e econômica da capital, quando os estádios existentes já não respondiam à demanda de clubes e torcedores.
O estádio recebeu o nome de Vivaldo Palma Lima, personalidade ligada ao esporte e à vida pública do Amazonas. Durante décadas, foi conhecido pelo apelido de Vivaldão e se tornou o principal palco dos campeonatos estaduais, dos clássicos entre Nacional e Rio Negro e das partidas de clubes amazonenses em competições nacionais.
A inauguração do Vivaldo Lima representou uma mudança de escala. O futebol deixou de depender apenas de estruturas tradicionais, como o Parque Amazonense e a Colina, e passou a contar com um estádio público de maior capacidade. A nova arena ajudou a concentrar os principais eventos esportivos de Manaus.
O Vivaldão também recebeu partidas com a presença de grandes clubes do país e da Seleção Brasileira. Em suas arquibancadas, o público amazonense acompanhou confrontos que ultrapassavam o calendário estadual e colocavam Manaus na rota de competições nacionais.
Um dos momentos mais marcantes ocorreu em fevereiro de 2003, quando o São Raimundo venceu o São Paulo por 2 a 0, pela Copa do Brasil. A partida atraiu mais de 40 mil pagantes e é lembrada como uma das maiores noites da história recente do futebol amazonense. Os gols foram marcados por Guará e Delmo.
O estádio também recebeu partidas internacionais. Em 1996, Brasil e Croácia empataram por 1 a 1 em amistoso disputado no Vivaldo Lima. O jogo é citado entre os eventos de maior projeção realizados no antigo estádio.
Apesar da importância histórica, o Vivaldão foi demolido a partir de 2010 para dar lugar à construção da Arena da Amazônia, projetada para a Copa do Mundo de 2014. A demolição encerrou um ciclo, mas o nome de Vivaldo Lima foi preservado na denominação oficial da nova arena.
A substituição gerou nostalgia entre torcedores e profissionais que viveram o período de maior movimento do estádio. O Vivaldo Lima não era apenas um campo de jogo: era o lugar associado à presença das grandes torcidas, aos clássicos tradicionais e às principais conquistas dos clubes do Estado. (ge.globo.com)
Arena da Amazônia representa a fase internacional de Manaus
A Arena da Amazônia foi construída no mesmo local do antigo Vivaldo Lima e inaugurada em 2014. O projeto foi desenvolvido para receber partidas da Copa do Mundo realizada no Brasil naquele ano e marcou a entrada definitiva de Manaus no circuito dos grandes eventos esportivos internacionais.
A estrutura tem capacidade superior a 44 mil torcedores e foi projetada com elementos visuais associados à floresta, às cores da região e ao artesanato amazônico. O formato externo remete a um cesto de palha, enquanto as cores internas fazem referência à fauna e à paisagem do Amazonas.
Durante a Copa do Mundo de 2014, a Arena recebeu quatro partidas da fase de grupos: Inglaterra contra Itália, Camarões contra Croácia, Estados Unidos contra Portugal e Honduras contra Suíça. Os jogos reuniram mais de 160 mil espectadores, entre moradores de Manaus, torcedores de outras partes do país e visitantes estrangeiros.
A realização da Copa ampliou a visibilidade internacional da cidade e transformou a arena em um dos principais símbolos contemporâneos de Manaus. Em 2016, o estádio também recebeu partidas de futebol dos Jogos Olímpicos realizados no Brasil.
Apesar de ter sido construída para um evento internacional, a Arena da Amazônia mantém ligação com o futebol local. O estádio recebeu jogos de clubes amazonenses, partidas de competições nacionais e eventos-teste envolvendo equipes da região. O primeiro evento-teste foi uma partida entre Nacional e Remo, ainda durante a fase final das obras.
A denominação oficial “Arena da Amazônia – Vivaldo Lima” preserva a memória do antigo estádio. A escolha foi estabelecida por lei estadual e representa uma tentativa de conectar a estrutura moderna à história esportiva construída no mesmo terreno.
O desafio da Arena é conciliar a dimensão de um estádio projetado para grandes eventos com a realidade de público e orçamento do futebol amazonense. A manutenção de uma estrutura desse porte exige programação regular, uso para diferentes atividades e planejamento para que o espaço permaneça integrado ao calendário esportivo do Estado. (manaus.am.gov.br)
Estádios ajudam a preservar a memória dos clubes do Amazonas
A trajetória dos estádios históricos do futebol amazonense revela mudanças na cidade e no próprio esporte. O Parque Amazonense surgiu quando o futebol ainda disputava espaço com o turfe e outras modalidades. A Colina consolidou a força dos clubes de bairro e a identidade do São Raimundo. O Vivaldo Lima simbolizou a expansão dos campeonatos e a chegada de grandes públicos. Já a Arena da Amazônia colocou Manaus no mapa dos eventos esportivos internacionais.
Esses estádios também mostram como a história do futebol não se resume aos títulos. Ela envolve os caminhos percorridos pelas torcidas, os clássicos, os jogadores que passaram por Manaus, as transmissões de rádio e as lembranças de quem acompanhou os jogos nas arquibancadas.
Mesmo quando deixam de existir fisicamente, os antigos estádios permanecem na memória coletiva. O Parque Amazonense sobrevive nos registros históricos e nas lembranças dos torcedores. O Vivaldo Lima continua presente no nome oficial da Arena. A Colina segue vinculada ao São Raimundo e à tradição do futebol amazonense.
Preservar essa trajetória significa reconhecer que os estádios são parte do patrimônio esportivo do Amazonas. Eles ajudam a explicar como o futebol se tornou uma das principais expressões culturais de Manaus e por que seus clubes tradicionais continuam associados a lugares específicos da cidade.
Da antiga pista de turfe do Parque Amazonense à estrutura contemporânea da Arena da Amazônia, o futebol amazonense atravessou mais de um século de transformações. Cada estádio deixou uma marca própria e, juntos, eles formam uma linha do tempo dos sonhos, das rivalidades e das conquistas que ajudaram a construir o esporte no Estado.



