Os eventos extremos que vêm ocorrendo em diferentes partes do mundo, também preocupam no Amazonas. Manaus registrou, dia 10 de agosto, a maior temperatura de 2026, com 36,8°C e sensação térmica de 41°C, uma indicação de que poderá enfrentar uma seca severa pela frente, potencializada pelo fenômeno El Niño.
A China enfrentou recentemente os impactos do tufão Dolphin, com chuvas intensas e inundações, a Venezuela ainda sente os efeitos de dois terremotos seguidos e a Colômbia se recupera de um, de magnitude 7,4. São fenômenos de naturezas distintas, mas que colocam uma questão em comum para as cidades: como preparar a infraestrutura e proteger a população, diante da iminente crise climática?
Com experiência acumulada em mais de sete anos à frente da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), o candidato a deputado estadual Marcellus Campêlo (44321) diz que é preciso preparar as cidades amazonenses para esses fenômenos cada vez mais extremos.
Ele defende que o estado avance na adaptação de casas e infraestrutura, incorporando soluções capazes de reduzir os efeitos do calor e melhorar a qualidade de vida da população. “O Amazonas tem convivido com as secas extremas e com as enchentes nos últimos anos. Ou seja, não estamos falando de problemas distantes, que possam ocorrer no futuro, mas do presente. É preciso mitigar os efeitos da crise climática e proteger a população”, afirmou.
Segundo ele, os programas executados pela Sedurb e UGPE sempre levaram em conta essa preocupação. Ele cita o Amazonas Meu Lar, os programas Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+), de Saneamento Integrado (Prosai) e o Ilumina+.
*» INFRAESTRUTURA VERDE*
No Amazonas, disse ele, essa agenda global ganha ainda mais relevância diante do patrimônio ambiental do estado e dos desafios provocados pelo crescimento urbano desordenado, pela ocupação de áreas ambientalmente frágeis e pela vulnerabilidade às mudanças do clima. Ele defende a implantação de um programa estadual de infraestrutura verde. O objetivo é estimular os municípios a incorporarem soluções verdes em obras públicas.
Na habitação, a proposta dele é incorporar o conforto térmico aos projetos voltados à população. “Isso envolve desde a escolha dos materiais e da cobertura do imóvel, até ventilação, proteção contra a incidência direta do sol e arborização no entorno. A ideia é reduzir a temperatura dentro das moradias, sem transformar o ar-condicionado na única alternativa para enfrentar o calor. A mesma lógica poderia ser aplicada à recuperação de casas instaladas em áreas vulneráveis, com melhorias de cobertura, isolamento térmico, ventilação e arborização”, explica.
Para Campêlo, o planejamento precisa chegar também às ruas. Obras de pavimentação e urbanização devem considerar, além da circulação de veículos, a drenagem, permeabilidade do solo e redução de superfícies que absorvem e retêm calor. “Soluções de pavimentação e pisos mais adequados à drenagem, associadas à arborização e à criação de áreas de sombra, podem fazer com que uma mesma obra contribua para mobilidade, redução de alagamentos, conforto térmico e qualidade ambiental”, enumera.
A arborização deixa de ser apenas paisagismo e passa a integrar a infraestrutura das cidades. “Ruas, conjuntos habitacionais, escolas, praças e espaços públicos poderiam receber árvores e áreas verdes prioritariamente nos locais com maior circulação de pessoas, menor cobertura vegetal e maior exposição ao calor”, destaca Marcellus Campêlo.
Essa integração entre urbanização e recuperação ambiental já aparece em projetos desenvolvidos na Sedurb e na UGPE, como o Prosamin+ e o Prosai, que associam saneamento, drenagem, requalificação urbana e recuperação ambiental. “No Prosamin+, por exemplo, mais de 49 mil mudas foram plantadas em áreas degradadas nas comunidades da Sharp e Manaus 2000, além de outras 17 mil destinadas ao paisagismo das áreas do programa”, ressalta Marcellus Campêlo, que conduziu as obras até março de 2026, quando se desincompatibilizou dos cargos, para colocar o nome à disposição do União Brasil Amazonas, onde atua como segundo vice-presidente estadual.
De acordo com ele, a modernização da iluminação pública também é outra frente de eficiência urbana. A iniciativa já é uma realidade no estado, com o programa Ilumina+ Amazonas, implantado pela UGPE, na gestão de Marcellus Campêlo. O programa instalou a tecnologia LED nos 61 municípios do interior e mais 245 comunidades rurais e indígenas, contribuindo para a redução do consumo de energia e do impacto ambiental, além da segurança para quem transita à noite.
*» ENFRENTAMENTO AO CALOR*
A experiência de Marcellus Campêlo em urbanização também fundamenta propostas para integrar o enfrentamento do calor extremo a obras de drenagem, saneamento e recuperação ambiental. “Ao recuperar igarapés e áreas de proteção, ampliar o solo permeável e a arborização urbana, é possível reduzir riscos de alagamentos e, ao mesmo tempo, criar ambientes mais agradáveis, contribuindo para reduzir as ilhas de calor e melhorar a qualidade de vida nos bairros”, frisa.
A proposta, ressalta, é ampliar a visão sobre os projetos urbanos: em vez de pensar apenas na construção de uma casa ou na pavimentação de uma rua, planejar o bairro como um conjunto, com moradias adequadas ao clima, áreas verdes, espaços de convivência, drenagem, iluminação eficiente e equipamentos públicos.
O candidato a deputado estadual afirma que o enfrentamento do calor extremo não significa necessariamente criar uma agenda completamente nova, mas atualizar políticas que já existem para responder aos desafios que a cidade passou a enfrentar. A preocupação é fazer com que o planejamento urbano deixe de apenas reagir aos problemas e passe a antecipar os efeitos das mudanças climáticas.
FOTOS: Caio de Biasi
Publicado em: 19/08/2026 às 14:26

