quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Durango Duarte

Entre a paisagem e a política, um acervo dedicado à história amazonense

O Instituto Durango Duarte preserva documentos e publica livros sobre a história de Manaus e do Amazonas. As pesquisas abordam praças, cinemas, música, imprensa, ciclo da borracha, criação da província e implantação da Zona Franca.
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A história de Manaus e do Amazonas é investigada, no Instituto Durango Duarte (IDD), a partir de fontes que incluem jornais antigos, fotografias, documentos oficiais, cartografias, vídeos e revistas. Criada em 15 de abril de 2016, a associação sem fins lucrativos reúne pesquisas sobre a região e transforma parte desse material em livros, artigos e outras publicações.

O trabalho percorre diferentes dimensões da formação amazonense. A paisagem urbana, a vida cultural, os conflitos políticos, a imprensa, o ciclo da borracha e a implantação da Zona Franca estão entre os temas abordados pelo instituto. A preservação do acervo e o incentivo à produção literária e acadêmica fazem parte dos objetivos da entidade.

Pesquisas sobre a transformação de Manaus

À frente do IDD está o empresário, publicitário, escritor e pesquisador Durango Duarte. A relação dele com a memória da capital começou antes da criação do instituto. Em 2009, publicou Manaus, entre o passado e o presente, guia histórico e fotográfico que serviu de base para novas pesquisas sobre os espaços urbanos.

Três anos depois, lançou 343 Manaus, obra dedicada à apresentação visual e turística da cidade. A atenção à paisagem também aparece em Praças históricas de Manaus, de 2023. O livro acompanha a trajetória de 34 praças, incluindo espaços que desapareceram.

Ao recuperar esses locais, a pesquisa reúne informações sobre usos e configurações urbanas que já não podem ser observados diretamente nas ruas. A obra amplia e revisa o capítulo sobre praças publicado no livro de 2009.

Os espaços de convivência também estão no centro de A Sétima Arte em Manaus, lançado em 2017. O livro trata da história das salas de cinema, da chegada de empresas exibidoras e dos festivais realizados na capital.

A música é abordada em trabalhos como A vida musical em Manaus (1950 a 1960) e Olga Praguer Coelho: a voz e o violão do folclore brasileiro. As publicações registram aspectos da atividade musical e de personagens ligados à cultura.

Jornais como fonte e objeto de estudo

No conjunto de pesquisas do instituto, a imprensa amazonense ocupa uma posição dupla: serve como fonte para reconstituir acontecimentos e também é analisada como parte da história regional.

A coleção 50 Anos Hoje organiza, por ano, acontecimentos registrados nos jornais de Manaus. Nas páginas dedicadas a 1970, aparecem episódios como a explosão da caldeira da Santa Casa, inaugurações de praças e avenidas e o centenário da Biblioteca Pública do Estado.

A reunião dessas notícias permite observar mudanças urbanas ao lado de fatos do cotidiano. Outras obras se concentram em períodos de conflito e controvérsia na imprensa local, como Imprensa Amazonense: Chantagem, Politicagem e Lama e Imprensa Amazonense: Caso Batará.

Em Quando o Diário Oficial virou guerra, de 2026, a investigação aborda as disputas ocorridas em 1958 e 1959. Naquele período, a publicação oficial do Estado se tornou espaço de confronto entre governo, oposição e imprensa. O estudo relaciona história institucional e comunicação a partir dos documentos produzidos naquele contexto.

Economia, instituições e Zona Franca

Outra frente da produção do IDD trata da formação econômica e política do Amazonas. RUBBER — Apogeu e Declínio da Borracha na Amazônia percorre a história do ciclo da borracha.

Já A Construção da Província do Amazonas, de 2025, examina a década de 1851 a 1859, período posterior à separação do Grão-Pará. A obra aborda a formação das bases institucionais, econômicas e sociais da província.

A implantação da Zona Franca é o tema de um livro digital gratuito lançado em 2023. Organizada por Durango Duarte, com participação da historiadora Marlucia Bentes e do jornalista Kleber Paiva na pesquisa, a publicação acompanha as primeiras discussões sobre o modelo, a construção do Distrito Industrial e a instalação das primeiras indústrias.

Memória pessoal e incentivo à pesquisa

Parte da produção do instituto também se relaciona com experiências vividas por Durango Duarte. Nos anos 1980, ele participou do movimento estudantil amazonense, ocupou cargos de direção em centros acadêmicos e foi conselheiro da Universidade Federal do Amazonas.

Esse período voltou a ser tema de pesquisas sobre a mobilização estudantil, incluindo uma coletânea de entrevistas com personagens que atuaram entre 1975 e 1985. Em 2021, Durango também foi professor voluntário do curso de Arquivologia da Ufam.

O instituto afirma buscar aproximação com a comunidade acadêmica e incentivo à produção de teses, dissertações e monografias sobre Manaus, o Amazonas e a Amazônia. Reuniões, palestras e cursos integram as atividades, ao lado da organização de fontes históricas e do lançamento de publicações.

Acervo disponível no portal

Segundo a entidade, a biblioteca particular reúne mais de oito mil obras, além de diários oficiais, jornais e revistas digitalizados, cartografias e produções audiovisuais. A coleção não está disponível para consulta no momento.

O público pode acessar, no portal do Instituto Durango Duarte, os materiais que já foram publicados. A proposta do IDD é manter documentos preservados e ampliar o acesso a pesquisas capazes de recolocar personagens, lugares e acontecimentos no debate sobre a história amazonense.

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